segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ideias perigosas sobre uma crise

Na passado dia 3 de Novembro, participei num documentário e discussão sobre "Ideias perigosas sobre uma crise" no grande auditório do ISCTE-IUL, um livro que saiu há cerca de um ano atrás. Liderado por Manuel Castells, João Caraça e Gustavo Cardoso e com a participação dos sociólogos, cientistas sociais e filósofos Michel Wieviorka, John B. Thompson, Rosalind Williams, Sarah Banet-Weiser, Craig Calhoun, Pekka Himanen, Ernesto Ottone, You-Tien Hsing e Theri Rantanen. E os autores do livro “Ideias Perigosas para Portugal” João Caraça, Gustavo Cardoso, Ana Catarina Santos, Sandro Mendonça e do jornalista Paulo Pena.

Assistimos a um interessante video sobre o tema, várias vozes se prenunciaram sobre a metamoforse da crise. Falou-se que o carpem diem do capitalismo chegará ao fim. Falou- se no poder económico e nas campanhas lucrativas sobre a crise vs o poder social, da queda da crença e dos valores por um sistema traidor, que origina revoltas, tragédias e violências por todo o mundo. Do grande desequilíbrio da balança dos poderes, das grandes fronteiras invisíveis que estão em todo o lado onde nos viramos e principalmente, na minha opinião, da falta de reconhecimento do conceito de nacionalismo. Mas na verdade, são estes desequilíbrios que vão dar origem a novos modelos de organização na sociedade, a outros movimentos, ao qual esperamos que todos nós possamos-nos unir, dentro de uma cultura de fé, e não numa cultura de indignados, como estamos a assistir. Pois, é verdade, os portugueses são conhecidos por falar, falar, falar.. mas somos passivos, comparativamente a outros países. Por exemplo, por cá tivemos a manifestação da geração à rasca, e noutros países a situação foi muito mais grave, em termos de violência. O problema, é que estamos sempre há espera que o governo resolva tudo, pois fomos assim educados! Do protector Pai governo, que é um chato! Tentamos sempre fugir a ele, quando no fim, lá pensando bem, precisamos dele! Por outro lado, existe uma ausência de governação, de sentido governativo de organização de algo, e ficamos sempre à espera que o pai resolva!

Destas teorias emanadas pelo documentário, ficou a faltar muita coisa na minha humilde opinião... cansada de ouvir falar em sistema económicos, em estratégias empresarias a faltar por resolver, penso que as pessoas estão todas fartas de ouvir falar do mesmo!

Ora, como se reconstrói uma sociedade em descrédito total pelo sistema governativo, pelas empresas, pelos amigos, e até pelo cão da vizinha? Pois é... mais modelos económicos? o mesmo modelo com algumas alterações? ...pois não sei, por mim, a questão centra-se no social e não mais nos modelos económicos e empresariais. Quem pode "salvar", são as pessoas, pois são elas que fazem tudo funcionar. As pessoas, por seu lado, precisam de elas próprias, precisam também de acreditar em elas próprias! Retirar o medo pelo futuro, pela ganho da proximidade com os outros é ganhar vida! A cumplicidade, as portas abertas da nossa casa, a partilha do nosso pão, é a vida socialmente aceite, que gera confiança.

A indignação dos homens é pouco construtiva e bloqueia a criatividade para a acção, se a sociedade se divorciou do mercado, então procure outro amor, mas sempre acreditando que é possível. Para o futuro, vamos tentar educar a sociedade para uma cultura de valores enraizada nos bens espirituais da sociedade, não falo de religião, mas sim do direito, da ética, da ciência, das artes ... música, dança, teatro, cinema, etc.. aquilo que nos faz sentir, sentir que estamos cá por alguma razão, sentir alegria, choro, ... emoções intensas, sentimentos reais.
Os problemas sociais vão sempre existir, mas percebe-se, que falta a força intelectual para os resolver e, como tal, impera a crença que se pode superar os problemas com mais conhecimento,mais e mais, e usa-se e abusa-se dos bens materiais, para compensar a falta. Será assim tão difícil entender??

O verdadeiro perigo da crise, é aquilo em que nos tornámos, aquilo que somos, enquanto indivíduos numa determinada sociedade.

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